O presidente interino do PT, o senador Humberto Costa (PE), afirmou à Folha de S. Paulo que é um “defensor intransigente” do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e que sua gestão não será marcada por embates públicos, ao contrário do que ocorreu durante a presidência da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR). Costa, que assumiu a liderança do partido interinamente após Gleisi se afastar para ocupar o cargo de ministra da Secretaria de Relações Institucionais, enfatizou sua postura conciliadora, destacando que sua missão é apoiar o trabalho de Haddad e evitar divergências públicas.
“Não tenho grandes pretensões de me envolver nesse tipo de debate. Sou apoiador do trabalho do ministro Fernando Haddad, entendo que ele está fazendo uma gestão econômica muito boa”, declarou Costa. A gestão de Gleisi foi marcada por confrontos com Haddad sobre medidas de ajuste fiscal, como a reformulação das regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que o PT discutiu profundamente com o governo.
Costa, que ocupa a presidência do partido até julho de 2025, afirmou que não será candidato à presidência do PT nas eleições internas e que, apesar das disputas internas dentro da sigla, seu foco será em organizar a eleição e defender a aprovação de propostas como a redução da jornada de trabalho e a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.
Embora afirme não se envolver diretamente nas discussões sobre a política econômica, Costa reconheceu a importância do partido se posicionar em relação às questões governamentais. Ele destacou a necessidade de uma postura mais discreta para facilitar a transição e garantir que o PT mantenha sua coesão durante este período.
Com a missão de fortalecer o partido, Costa também mencionou a importância de atrair novos filiados e intensificar a pressão sobre o Congresso para aprovar propostas que beneficiem a população. Ele pretende usar a propaganda partidária do PT, além do apoio de parlamentares, centrais sindicais e movimentos sociais, para alcançar essas metas.
Gleisi, que assume a Secretaria de Relações Institucionais na segunda-feira (10), será responsável pelas negociações políticas do governo Lula, enquanto Costa, como presidente interino, segue com sua missão de consolidar o partido e apoiar as pautas que considera essenciais para o Brasil.


